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Um novo olhar para o Natal

  • Foto do escritor: Rosana Almeida
    Rosana Almeida
  • 20 de dez. de 2025
  • 6 min de leitura

Ver o Natal com outros olhos


Baseado no discurso do Élder Dieter F. Uchtdorf na Devocional de Natal de 2010 da Primeira Presidência da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos últimos dias.


O Élder Uchtdorf usa o início da história do Grinch do Dr. Seuss para dar a largada:

Todos na Quem-lândia gostavam muito do Natal. Mas o Grinch, velho ogro, que morava bem ao norte, não gostava nem um pouco. O Grinch odiava tudo o que representava o Natal;

  • o Grinch tinha o coração “duas vezes menor que o normal”. Ele preenchia sua agenda com ações para exercitar o seu ódio, inclusive contra ele mesmo. Era assim que ele diminuía o tamanho do seu coração.

  • odiava tudo o que representava o Natal. Não odiava só por causa do consumismo desvairado. Ele nasceu na época de Natal. O Natal fazia parte de sua identidade e ele se sentia rejeitado. Ele se rejeitava.

Como o Élder Uchtdorf irá mencionar a opinião dos psicólogos sobre o Natal, senti-me licenciada a falar um pouco mais sobre o Grinch e seu sofrimento:

  • Ele era uma criança diferente dos “Quem". Era verde e peludo. Cheguei a pensar que era peludo de ressentimentos, viajei né. Será?

  • Era tão diferente que nasceu em uma família diferente. O Grinch tinha duas mães e nenhum pai. 

  • Sofreu bullying na infância e adolescência. Quem não tem inseguranças na adolescência, imagine ele com a sua herança genética de monstruosidade!

  • Grinch é o típico representante do monstro da inveja, nos Contos de Fadas, Fui até verificar a cor dos olhos do Grinch. Nos contos de fadas é típico se representar a inveja por um monstro de olhos verdes.

  • O Grinch também é o protótipo do adulto traumatizado. Explorar esse assunto em um outro momento.

Eu poderia fazer uma interpretação psicológica detalhada a respeito do ogro Grinch e o roubo do Natal. (Amo fazer interpretações psicológicas de filmes e contos de fadas). Falar de “Quem-lândia” e da menina psicóloga Cindy Lou Quem, que é quem salva o Grinch de sua própria loucura. Salva também o seu pai e consequentemente sua mãe e depois toda a coletividade. E todo mundo vê que, não só o Natal não pode ser roubado como nem o comércio mata o Natal. Tudo isso tiraria muito do pouco tempo que tenho. Vale dizer que a menina Cindy Lou Quem salva o Grinch porque ela olha para o coração dele. “Ele é peludo e fedorento, tem as mãos frias e gosmentas, mas é uma boa pessoa”. Ele não era mau, só estava se defendendo de sofrer mais.

“Olhar para o coração” era o tema do discurso que eu ia fazer antes de ser mudado semana passada. Como pode-se ver, mudou pouco. Para mim muito, mas isso é uma outra história.

Psicólogos atestam que muitas pessoas ficam tristes e deprimidas no Natal, principalmente aquelas que estão em fase de luto normal ou que estão sofrendo de um luto negado, o luto patológico. Estão focadas em uma ausência, em uma falta. É isto que é uma depressão.

O Natal, lembra o Élder Uchtdorf, deveria ser uma época de reflexão. Precisamos fazer a conexão entre Natal e Páscoa. Apesar de que a data que comemoramos o Natal é fictícia e amplamente absorvida pela exploração comercial, é uma data que tem que vir antes da Páscoa. Temos que fazer esse trajeto de regozijo: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e o seu nome se chamará Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. (Isaías 9:6). Essas palavras já bastariam para nos regozijarmos infinitamente.

Não estamos habituados a sentir regozijo, que é pensar celestial, porque sabemos que na esfera ou dimensão em que vivemos a alegria não é eterna e nos protegemos de sofrer frustração, o fim da alegria. Preferimos, por isso, ficar em uma frequência menor, de pensar telestial e, consequentemente, conviver com uma depressão crônica.

Temos tendência em concentrar nossa “atenção” naquilo que representa um problema porque pensar é resolver problemas. E dirigimos nossa atenção para os nossos pensamentos. Achamos que somos os nossos pensamentos. NÃO SOMOS! Somos o que sentimos, o que experenciamos com os nossos corpos porque esse é o momento presente. A origem do pensamento está tão somente na resolução de problemas, na falta, na ausência de solução.

Quando estamos felizes, sentimos a felicidade em nossos corações e apenas contemplamos, não pensamos. Se contemplarmos a tristeza, ela passará, com apenas algumas inspirações profundas. Isso é meditação. É viver o momento presente. O pensar prende o pensamento nos problemas e a atenção aos pensamentos porque temos que resolvê-los e não sabemos ser diferentes do estado pensante. Temos medo de mudar porque mudança é o desconhecido. É o que não estamos habituados a sentir e a viver.

Élder Uchtdorf sugere 3 coisas para praticarmos nesta época de Natal:

  1. Regozijar-nos com o nascimento de Jesus Cristo. Regozijar é encher o coração de alegria a ponto de contagiar quem está próximo a nós, ao nosso lado. Um exemplo de regozijo foram os três reis magos. Foram sustentados por seus regozijos. Encontraram o Santo Menino com dois anos de idade. Vejam como o regozijo sustenta! Os reis magos não deram um pulinho ali, na cidade vizinha. Foram sustentados pela fé e diligência. Achamos que regozijo é uma explosão de alegria e por isso é passageiro. Não é. Creio que o regozijo faz parte do pensar celestial - como já disse. Regozijo é diligência e assertividade. Fazer o que o coração manda. Isso é olhar o Natal com outros olhos. Olhar para tudo, nossa família, amigos, nosso próximo com os olhos espirituais, do coração, com amor e sentirmos gratidão, uma gratidão regozijante por estarmos vivos.

  2. Ponderar sobre a influência de Jesus Cristo em nossa vida = tento pensar nisso o ano inteiro e o ponto culminante, para mim é o domingo de testemunho. Élder Uchtdorf acrescenta que devemos tentar mudar o ritmo. Sempre digo que este ano não entrarei no frenesi do Natal e sempre sou envolvida. É difícil porque é algo coletivo. Você não vai entrar no amigo secreto que te convidaram? Não vai participar da confraternização do teu grupo de estudos ou dos colegas de trabalho? É um momento social e de confraternização. Mas podemos, sim, mudando o nosso interior, mudar o reflexo exterior = O como comparecemos aos nossos compromissos. Foi essa a mudança que Cindy Lou Quem conseguiu realizar nas pessoas.


Natal é época de reflexão!! Chamei de cláusulas contratuais celestiais….

  • Lembrarmos do Filho de Deus

  • Renovarmos a determinação de tomarmos sobre nós o Seu nome. Na Quem-lândia, todos tinham, após o seu nome pessoal e sobrenome familiar, o nome Quem. A menina psicóloga se chamava Cindy Lou Quem. Eu me chamo Rosana de Almeida de Jesus Cristo.

  • Que seja um tempo de gratidão e um momento de perdão;

  • Reflexão sobre a Expiação e o significado pessoal, para cada um de nós;

  • Renovação do compromisso de viver pelo Evangelho e obedecer os mandamentos.

Se tivermos essas cláusulas gravadas em nossos corações, o ano inteiro, será natural não entrarmos no frenesi do consumismo.

      3. Esperar com firmeza (fé) por Sua Vinda.

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e o seu nome se chamará Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. (Isaías 9:6)

 Temos que permanecer firmes, ansiando por sua segunda vinda. Somos santos dos últimos dias. Vivemos a décima primeira hora antes DELE voltar. Temos muita responsabilidade. Temos que nos preparar e ao mundo para a vinda do Messias em glória! 

O hino diz: 🎵 🎵 🎵 Sigamos com esperança/ Sem nunca deixar de crer./ O dia se aproxima,/ e a estrela há de aparecer. 🎵 🎵 🎵

O ogro Grinch sabia que havia algo de muito bom no Natal.

Nada rouba o Natal. O Espírito de Natal sempre desponta no coração das pessoas com os primeiros raios de sol, mesmo que esteja chovendo ou nevando.

Ele não conseguia desfrutar e era isso que ele invejava, a capacidade de viver e desfrutar. Seu coração era duas vezes menor que o normal e isso significava que ele não podia amar. O amor enche, expande o coração. Quanto mais amamos, mais temos amor para dar. Temos muitos ogros no mundo. São pessoas que sofrem muito. Devemos exercitar nossa compaixão por eles.

No final do filme todos percebem que nada rouba o Natal. O Espírito de Natal sempre desponta no coração das pessoas com os primeiros raios de sol, mesmo que esteja chovendo ou nevando.

O herói da história não é o Grinch, é a menina psicóloga Cindy Lou Quem. De maneira aparentemente simples conseguiu ajudar o ogro. Não foi simples, mergulhou voluntariamente em muito lixo mental. O Grinch é o modelo do mal do século = o narcisismo destrutivo. São pacientes de difícil acesso, difíceis de serem ajudados. Vou sugerir o filme como estudo de caso para meus colegas psicólogos.

Gostaria de finalizar com uma frase do Freud que gosto muito. Ele diz:

Seja onde eu estiver (entenda por “onde” um lugar da mente) então… “No lugar da mente em que eu estiver, um poeta já passou por aqui”.


Este é o texto que preparei, com muito amor, em nome de Jesus Cristo. Amém!


Esse texto foi lido na reunião sacramental da ala Parque da Represa, Jundiaí, em 14 de dezembro de 2025.


 
 
 

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